A incoerência reina. É fato. Logo após a letárgica participação brasileira na Copa de 2006, ouvi muitos comentaristas afirmando que, apesar da inexperiência, Dunga era uma boa escolha por ser um ícone de garra e dedicação, duas qualidades que não embarcaram para a Alemanha naquele ano. Cá entre nós, tudo leva a crer que Dunga foi chamado para tapar buraco até que Felipão terminasse seu contrato com Portugal ou outro técnico mais gabaritado pudesse assumir o time. O "problema" é que o tapa-buraco deu certo, até demais.Em sua campanha pré-eliminatórias, Dunga teve um aproveitamento de 76,6%, à frente de nada menos que Telê Santana, Parreira e Luxemburgo. E nesta campanha, o título da Copa América foi uma afirmação gritante: 3 x 0 na toda-poderosa Argentina, com Messi, Tevez, Riquelme e cia. Hoje ninguém mais deve lembrar disso, mas a expectativa na época era por uma grande goleada portenha, afinal, eles haviam metido 4 x 1 nos EUA, 4 x 2 na Colômbia, 4 x 0 no Peru e 3 x 0 no México. Uma campanha irretocável. Enquanto o Brasil havia perdido para o México logo na estréia e se classificado para a final numa dramática disputa de pênaltis contra o Uruguai. Além do mais, o meio-campo brasileiro era ainda mais defensivo que o derrotado ontem pelo Paraguai: Mineiro, Josué, Elano e Júlio Baptista. E ao contrário daquilo que Galvão Bueno não cansou de repetir durante sua narração-sermão na partida de ontem, o Brasil da final da Copa América não precisou de dois armadores para jogar bem. Deu show com quatro volantes. Sempre que Messi ou Tevez recebiam a bola se viam cercados por dois, três, quatro marcadores. Riquelmente até hoje não sabe dizer a cor da bola. Uma vitória maiúscula, um nó tático, uma supremacia que eu não me lembrava de ter visto em partidas de Brasil X Argentina.
Os mesmos que aplaudiram Dunga naquela ocasião são os que agora marretam a formação utilizada neste Brasil X Paraguai, que foi até mais ousada, já que contou com Diego, um autêntico meia-armador. Diego sim, merece ser alvo de críticas sem cairmos no risco de incoerência, já que nunca aproveitou suas inúmeras oportunidades e corre o risco de entrar para o hall dos grandes meias-armadores que fizeram chover nos clubes e passaram em branco na Seleção. A lista já conta como Ademir da Guia, Raí e Alex. A incoerência está em criticar Dunga pelo mesmo motivo pelo qual ele já foi aplaudido de pé. Mas esperar coerência de Galvão Bueno é quixotismo demais de minha parte, admito.
2 comentários:
"Quixotismo" foi ótimo... cadê o comentário do Flamengo x São Paulo... =P
e outra, tu é bom mesmo nesta coisa de crônica esportiva hein? Citou até Adhemir da Guia... =P
gostei!
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