
"A bola pune", disse Muricy Ramalho, numa frase que já nasceu antológica. Mas às vezes pune de modo totalmente aleatório e injusto. Felipe, o ídolo corinthiano que no final do ano passado abriu mão de uma excelente proposta do Fluminense por conta de sua grande identificação com o clube alvinegro (o que nem passou pela cabeça de Leandro Amaral, Dodô e Conca, por exemplo, que num piscar de olhos abandoram suas camisas P&B para vestir o uniforme multicolorido das Laranjeiras), agora é alvo de pixação, barração e crítica de todos os lados. Tudo por conta de um único lance na final da Copa do Brasil que eu sequer computo como falha sua. Vendo e revendo o lance, concluo que Felipe anteviu a cabeçada a queima-roupa de Enílton, que seria fatal. Mas a bola, caprichosa, sequer resvala na careca do atacante-dublê do Vin Diesel e cai como uma pedra entre as pernas do goleiro.
Mais determinante para a derrota do Corinthians foi a expulsão do lateral Wellington Saci, que ficou 58 segundos (!!!) em campo. É inadimissível que alguém que se diz profissional do que quer que seja ponha tudo a perder em tão pouco tempo. Imagine que você é um jornalista e acaba com uma entrevista em 58 segundos; ou que você é piloto, decola com um avião e o derruba em 58 segundos; ou que você é um médico, dá início a uma cirurgia e mata o paciente em 58 segundos. É um intervalo de tempo tão curto que para se conseguir fazer algo realmente ruim é preciso muito talento.
Os clubes, porém, são coniventes demais com esse tipo de atitude. Se fartam de reclamar da arbitragem, que está além de seus raios de atuação, mas quando um atleta - e porque não dizer funcionário? - de sua própria equipe joga o trabalho de dezenas de profissionais por água abaixo, passam a mão na cabeça, minimizam o acontecido. Basta lembrar que Diego Tardelli foi expulso tolamente contra Fluminense na 4ª rodada e nada aconteceu. Thiago Neves recebeu um cartão velho bobo contra o Grêmio na 5ªrodada e matou a reação tricolor na partida. Nenhuma punição. Segundo Mano Menezes, Saci vai ficar alguns jogos fora do time para "pensar no que fez". Se eu fosse o Mano ficaria tão revoltado que daria um motivo concreto para o rapaz ser chamado de Saci. Para ele sobraria somente o futebol paraolímpico.
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