sexta-feira, 13 de junho de 2008

"O pesado sou eu"

"Não, a culpa é minha, o pesado sou eu, o pé-frio sou eu...", disse o técnico Cuca no vestiário do Botafogo após a eliminação na semifinal da Copa do Brasil. Essa declaração me deixou meio pra baixo. Já está mais do que provado que Cuca é competente. Montou não uma, mas duas boas equipes no Botafogo, com peças um tanto limitadas. Em 2007, o "Carrossel Botafoguense" não dispunha de nenhum grande nome, a exceção de Dodô. Mas a formação Luciano Almeida, Alex, Juninho, Joílson; Túlio, Leandro Guerreiro, Zé Roberto, Lúcio Flávio; Dodô e Jorge Henrique foi de encher os olhos. Deixei de assistir os jogos do meu time pra assistir aos shows dominicais alvinegros. Futebol ofensivo, de muita movimentação por todos os setores do campo e de belos passes.

O time desse ano não era tão vistoso, mas cumpriu a promessa de ser mais competitivo, só que ainda assim o título não veio e aí começa a neurose. Apesar de não haver pressão de torcida ou diretoria, Cuca abandonou o barco por não suportar o fardo de não vencer. A frase "o pesado sou eu" é dura e extremamente auto-punitiva. É a conclusão de alguém que a essa altura poderia ser bicampeão carioca, campeão brasileiro, sul-americano, da Copa do Brasil ou quissá estar numa final Libertadores, mas que no frigir dos ovos não é nada, absolutamente nada. O trabalho, apesar de extremamente competente, não foi coroado, não recebeu a tarimba dos deuses do futebol, como uma espécie de Torre de Babel amaldiçoada pelos altos céus. Isso machuca mais do que ser apenas incompetente.

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